
Musas,músicas,eventos,Natal,réveillon,carnaval,shows gigantescos,exposições que viram fenômenos pop,bocadas musicais,modismos,grifes e desfiles,novidades de baixa e alta gastronomia,esportes praianos,points juvenis,bares e lojas que se destacam,programações especiais na TV,gírias,invasão de turistas nacionais e internacionais,férias,recessos,novas modalidades de passeios,90 dias dos namorados de estação,90 dias de sensualidade escancarada,lua cheia que parece mais cheia e próxima dos que se divertem nas areias noturnas,40 graus incomodando (o produto verão,mesmo com todo apelo,às vezes passa longe de boa parte da população),mas no geral animado,empurrando as pessoas para fora de casa,para as ruas,para as praias do município e da costa fluminense...
Jornalisticamente não tem erro:falar de verão é mapear o antes e depois dos itens acima,de dezembro até o final de março.Mais do que uma estação,o verão é marca registrada da,digamos,civilização carioca,que tem no desafio de incrementar a pujança de uma megalópole à beira-mar - não só na zona sul,mas também nas suas outras plagas urbanas,zonas menos privilegiadas de serviços - a sua principal missão.Desafio antigo e que parece estar prestes a se realizar em virtude daquilo que já está na boca do povo,do empresariado,dos becos criminosos,das UPPs,dos velhos e jovens,dos famoso e anônimos.O que se fala,o que se sente é o que o combo Copa do Mundo-Olimpíadas é a comissão de frente,a cereja no bolo do Brasil tigre sul-americano emergente,mais ainda bric-à-brac.
Tudo isso para dizer que este verão parece ser o primeiro do resto de nossas vidas,e é como se uma ampulheta tivesse virado,e nós tivéssemos cinco anos para tirar o atraso de tudo em termos de funcionamento social razoável,classemedianização portentosa de boa parte da população etc.Essa é a sensação geral diante da bolha de otimismo gerada pelo governo federal,diante da bolha de ufanismo vigente no país,principalmente na cidade purgatório da beleza e do caos.Numa palavra:menos caos e mais beleza de produção turística,industrial,de serviços,entretenimento,infra,enfim,o papo de sempre a partir de um comprometimento,na marra,de melhorar o pedaço num prazo dado.
Este verão será o primeiro de uma arrancada rumo a excelência?,pergunta o povo ressabiado.Mas não tem erro:vão rolar points,grifes,desfiles,carnaval,bocadas musicais,invasões turísticas...e sensualidade escancaradamente desconcertante.Vai ter o de sempre no produto verão...
O que importa é ressaltar as novas possibilidades dessa civilização carioca.Zona Oeste,subúrbios,baixada estarão incorporados pelo plano diretor quinquenal visando o verão de 2017.O verão do legado?Começando por agora?Tudo bem papo sisudo para falar da estação da descontração,mas é assim mesmo,meus caros,tudo junto e misturado na cidade maravilhosa mutante,capital do melhor e do pior do Brasil.Depois de corte e capital,a marca Rio de Janeiro assumindo o glamour atual- que é o de cidade ícone de investimentos.Não tem erro:vai rolar aquela lista do ínicio,mas toda essa festividade será movida por uma excitação peculiar em virtude dos tais cinco anos.Por isso,este verão será o primeiro do resto de nossas vidas.
Fausto Fawcett